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Crítica | Olhos Que Condenam | When They See Us | Netflix

Avaliação do Usuário: 5 / 5

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olhos que condenamApesar de já ter sido assistido por mais de 23 milhões de contas o ideal é que todo mundo pudesse realmente ver “Olhos Que Condenam”.

Isso mesmo, a minissérie baseada em fatos reais, de acordo com um tweet da criadora da série, Ava DuVernay, a Netflix confirmou que mais de 23 milhões de contas já assistiram "Olhos Que Condenam" (When They See US- Quando eles nos vêem, em tradução livre) em todo mundo desde a estreia em 31 de maio de 2019.

Porém, “Olhos Que Condenam”, continua conquistando o público ao redor do mundo, pois os dados fornecidos são números que compreendem a audiência mundial da plataforma.

Ava DuVernay, foi indicada ao Oscar de Melhor Direção, em 2014, por Selma - que também integra o time de roteiristas composto por Robin Swicord (O Curioso Caso de Benjamin Button) Attica Locke (Empire), Yusuf Hassan e Michael Starrbury, a produção realizada em quatro episódios apresenta uma história repleta de nuances.

A obra narra a dramática jornada de Korey Wise (Jharrel Jerome), Antron McCray (Caleel Harris/Jovan Adepo), Yusef Salaam (Ethan Herisee/Chris Chalk), Raymond Santana (Marquis Rodriguez/Freddy Miyares) e Kevin Richardson (Asante Blackk/Justin Cunningham) — cinco garotos com idades entre 14 e 16 anos que foram incriminados pelo estupro de Trisha Meili(Alexandra Templer) em 1989, sendo coagidos a dar depoimentos falsos pela polícia. O caso ficou internacionalmente conhecido como “Os Cinco do Central Park”.

Cada um dos episódios se empenha em revelar como toda situação se desenvolveu, humanizando tanto os meninos quanto as suas famílias, além de ressaltar a incoerência e o racismo da mídia e do sistema penal norte-americano. Dificilmente alguém diante de tais cenas não se sentirá de alguma forma lesado, especialmente porque sabemos que não é apenas uma história, é um caso real.

Sob essa perspectiva, “Olhos Que Condenam” projeta luz a uma história que aconteceu por erros graves no início da investigação e pela forma como Korey Wise, Antron McCray, Yuseff Salaam, Raymond Santana e Kevin Richardson foram tratados na noite de 19 de abril, o que os levou a uma condenação injusta e uma absolvição que só ocorrer apenas 13 anos depois. Sendo assim, “Olhos que Condenam” aponta o quanto o racismo estrutural é o motivo que guia toda a investigação e o processo.

Assim que Trisha Meili, foi encontrada desacordada na mata a polícia iniciou uma busca nas redondezas do Central Park, lá encontraram o grupo de jovens e os quatro foram apreendidos e levados à delegacia. Mesmo sem ter ido naquela noite no local, Korey Wise acabou seguindo para a delegacia apenas para acompanhar o amigo Yuseff. Daí então começa o jogo “GATO E RATO” de uma forma completamente injusta, pois é nesse momento que os meninos acabam sendo acusados injustamente pelo estupro.

Tomada por uma ideia fixa em sua cabeça, a promotora Linda McCray (Felicity Huffman) extrapola a lei e vai literalmente contra a ausência de indícios e provas com intuito de criar uma narrativa conveniente de que estes jovens (mesmo sem se conhecer um ao outro) cometeram juntos o crime. Desta forma, ela ordena que os agentes passem a pressionar os quatro menores de 16 anos, afim de que admitem de qualquer maneira o abuso sexual, detalhe importantíssimo “sem a presença dos pais ou de advogados”.

Cai de forma pesadíssima sobre os ombros de Korey, o único dos 5 com 16 anos completos (Nos EUA um adolescente já pode responder criminalmente por crimes hediondos) gerando uma espécie de história paralela a dos outros 4 garotos. A qual faz jus em merecer um episódio completo dedicado a ela.
A cada minuto que a trama avança, a montagem ligada à fotografia de “Bradford Young” cria um tom claustrofóbico e extremamente apavorante. É complicadíssimo assistir “Olhos Que Condenam” causa uma certa dor, que gera um desconforto um incômodo brutal, há uma tensão no ar, um horror constante e apavorante que produziu em mim uma sede de justiça fortíssima.

“When They See Us” conforme já foi dito em tradução literal é “Quando Eles Nos Vêem”, ou seja, como o negro é visto? Quando eles são enxergados? Assim sendo, quando eles os enxergam, faz com que eles se tornam criminosos e culpados desde o primeiro momento, principalmente por estrem fora do seu espaço, nesse caso “fora do Bronx”, dando um rolé pela área nobre de Nova York.

Mesmo torcendo e retorcendo diante de um julgamento, não há torcida suficiente, para mudar o que de fato aconteceu, em que os cinco meninos perderam a adolescência para cumprir uma pena de um crime que nunca cometeram é simplesmente cruel.

Nem “Donald Trump”, escapa dos holofotes, retratado em imagens da época, aparece pedindo o retorno da pena de morte ao estado, algo que não acontecia desde 1963, e revelam que seu conceito de compreensão humana sempre foi um tanto quanto distorcido ao afirmar que os “negros possuem muitos privilégios”. Em contrapartida é colocado em pauta o sentimento de uma mãe cujo teme o filho morrer mesmo sendo inocente e expressa sua revolta contra o renomado empresário americano e atual presidente da nação dos EUA.

Após o julgamento, não apenas os meninos, mas também suas famílias são levadas ao inferno prisional e acabamos de certa forma sendo levados juntos, pois não há como não se envolver emocionalmente diante de tão brutal condenação. No entanto, a prisão não é solitária, devido ao fato em quem ela arrasta junto a família.

Ao nos levar a prisão com esses garotos a pergunta que não quer calar é: “Como reconstruir a vida após uma prisão?” A possibilidade de reintegração social se torna quase impossível. Um momento forte que retrata bem isso é quando um dos - agora - ex-presidiários comenta: “Uma vez que eles te pegam, eles ficam com você”.

Em se tratando de elenco, sem sombras de dúvidas, aplausos de pé para todos!!! Mas vale ressaltar “Jharrel Jerome, o único que interpreta o mesmo personagem na adolescência e na infância, é outro ator que merece aplausos ao retratar o pesadelo vivido por Korey Wise durante toda essa saga. Ele consegue a proeza de nos levar junto com Wise para a terrível solitária.

“Olhos Que Condenam” é importante de ser visto, ou quem sabe visto e revisto, porque vai além do mero entretenimento, é uma ferramenta a mais como incentivador de debates e na construção de um diálogo em que não devemos fugir do mesmo. Por falar em diálogo, não deixe também de ver o especial com “Oprah Winfrey” o qual considerei um complemento importante para nos lembrar que de fato a história é real e deixou sem dúvidas suas drásticas consequências.

“Nunca estarei satisfeito até que a segregação racial desapareça da América.” - MARTIN LUTHER KING

Confira o trailer abaixo e boa minessérie!!!

Por Lindomar JS

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