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Crítica | A Garota no Trem

Avaliação do Usuário: 5 / 5

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a garota no tremUm suspense, com uma narrativa psicológica, subjetiva, com personagens que não podem ser confiados, retratam as dores femininas e a difícil tarefa de ser mulher.

Baseado no grande sucesso literário de “Paula Hawkins”, “A Garota no Trem” é um daqueles thrillers que busca prender o espectador pelo seu “intrincado” e “psicológico” jogo narrativo. Com ecos de “Garota Exemplar”, o filme funciona como suspense. O sucesso tanto do livro quanto sua adaptação cinematográfica dirigida por “David Fincher”, obviamente chamou a atenção de dezenas de outros autores e produtores, proporcionando inúmeros outros produtos que seguem o mesmo estilo e “A Garota no Trem” também é uma dessas obras que toma esses trilhos.

Dirigido por “Tate Taylor” (diretor de “Histórias Cruzadas”), seguimos “Rachel” (Emily Blunt), inglesa radicada nos Estados Unidos que viaja todos os dias para a ilha de Manhattan enquanto imagina a vida dos moradores das casas, pelas quais visualiza, pela janela do trem. Uma das casas já foi sua, todavia agora é habitada pela família de “Anna” (Rebecca Ferguson) e “Tom” (Justin Theroux), seu ex-marido.

“Rachel” é uma alcoólatra divorciada que, para suprir o caos da sua vida, imagina todos os dias a vida de um casal que ela idealiza como perfeito “Scott” (Luke Evans) e “Megan” (Haley Bennett), que ela sempre vê de dentro do seu trem.

A trama gira em torno, de forma não linear, a história de três mulheres, Anna, Megan e Rachel, sendo esta última a narradora dos eventos retratados. Todas elas possuem conexão entre si; Rachel é ex-mulher do marido de Anna, que tem Megan como babá de sua filha, com a última observada todos os dias por Rachel através do trem conforme já foi dito.

No entanto, o que realmente conecta essas mulheres é a violência, traumas e um profundo sentimento de não pertencimento, o qual faz com que todas sentem-se totalmente alheias a este mundo. Até que Morgan desaparece e de alguma forma Rachel e Anna estão envolvidas com este fato. Certa de que possui informações importantes para auxiliar a polícia no caso de Megan, Rachel passa a se envolver na investigação e, aos poucos, descobre já estar conectada ao caso de várias outras formas.

Ao assumir esta função e devido ao seu problema com o alcoolismo, a protagonista se torna uma investigadora que parte de suas memórias embaralhadas para solucionar o problema, como se justificasse a supressão de diversas informações no decorrer do longa, os apagões de Rachel são o gatilho perfeito para conduzir o filme.

Entretanto, o que impede “A Garota no Trem” de se tornar um simples filme de suspense é “Emily Blunt”. Ela que brilhou como protagonista de grandes filmes como “Sicário: Terra de Ninguém (2015) ”, brilha novamente como a alcoólatra derrotada que se agarra em qualquer ponta de motivação para continuar vivendo, uma performance muito física que revela através de suas feições e gestos uma fragilidade constante, para aos poucos construir uma mulher sólida, forte e convicta, e realmente se vê esta mudança nas telas, fazendo com que o elenco, ao seu lado, pareça todo de coadjuvantes.

Um dos trunfos da obra original é termos a oportunidade de acompanhar o passo a passo da investigação, e receber os detalhes e novas pistas em todo tempo, o que nos instiga e nos prende a descobrir o que realmente aconteceu e quem foi o autor de tudo isso.

Há também, como um dos pontos fortes da trama, a forma como as protagonistas lidam com seus problemas pessoais e principalmente em relação aos seus parceiros. Sendo assim, o longa demonstra ser uma interessante investigação da psicologia feminina, colocando temas como o “Gaslighting” (abuso psicológico que faz a vítima duvidar das próprias memórias) de forma central e não apenas de uma maneira didática, no entanto, procura inserir o espectador na mente de uma pessoa que sofre de tal abuso. Retratado de forma fiel, é de se admirar a coragem de levar à grandes audiências um assunto por muitas vezes, um tanto quanto, negligenciado.

“A Garota no Trem” não pode ser considerado um dos grandes suspenses, mas se sai bem ao colocar sua câmera dentro de três mentes femininas. E a união de vários elementos corretos orquestram um ótimo e reflexivo filme sobre dores femininas, proporcionando um mistério como palco principal da trama. Caso procure um entretenimento sem pretensões, você poderá se contentar com esse thriller, recheado com ares de drama.

Assista ao trailer abaixo e bom filme!!!


Por Lindomar JS

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